Água

Darque, Santa Marta e Garças a pagaiar

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Há mais dois clubes além do Darque Kayak Clube (DKC) que promovem a canoagem em Viana do Castelo. O surgimento do Viana Garças Clube (Garças), nos últimos dias de 2017, levou o Desporto em Viana a descobrir os outros projetos que querem encher o rio de canoas.

O Santa Marta Remo Clube (Santa Marta) foi criado em 2009 e teve desde a sua génese forte ligação ao Desporto Escolar da EB 2,3/S Pintor José de Brito. Do ergómetro ao Stand Up Paddle, o Santa Marta tem crescido na canoagem e em 2015, em parceria com o Clube Náutico de Ponte de Lima, Marco Azevedo sagrou-se campeão nacional em K4. No ano passado o clube participou nas provas de Primeiras Pagaiadas, promovidas pela Federação Portuguesa de Canoagem.

“O objetivo nunca foi ser um clube de canoagem, mas de desporto escolar e trabalhar com os alunos da escola. Porém, as verbas para material nas escolas são poucas ou inexistentes e aí entra o clube”, conta ao Desporto em Viana o presidente do clube, José Alberto Araújo.

Ainda assim, não é fácil ao clube comprar material pois os apoios não são muitos e é com incompreensão que o professor de Educação Física sabe da existência de material de canoagem em Darque que não é utilizado. “Gastou-se cerca de 200 mil euros em material que é municipal, mas que não é utilizado e que dava jeito ao Santa Marta”, afirma. “Precisamos de pagais, canoas e sei que em Darque há material que não é utilizado”, garante.

Além do material, o dirigente não percebe a lógica de se entregar a gestão de um edifício público a um clube. “A dinâmica de gestão devia ser diferente. Não deviam ser entregues aos clubes, pois nenhuma instalação municipal deve ser entregue aos clubes. Tratam-se de infraestruturas grandes, onde a taxa de utilização é reduzida porque os outros clubes não as podem utilizar. É o oposto do que acontece nos pavilhões. No surf, por exemplo, só um clube utiliza e as outras seis escolas de surf lavam-se nos chuveiros junto ao Luziamar”.

O professor de Educação Física recorda-se que “em 2010 houve uma reunião com a vereação de desporto a explicar o objetivo do clube”, mas que depois disso “não houve muito com contacto com a câmara”. “Com metade dos três mil euros mês que a autarquia transfere para a DKC, levaria o dobro dos miúdos às provas”, assegura, esclarecendo que a DKC recebe esse valor no âmbito da Náutica nas Escolas, que funciona nas aulas de educação física, enquanto o Desporto Escolar, base do clube em Santa Marta, é um complemento às aulas. “Seria bonito que trabalhássemos em rede”, defende.

Entretanto, no verão de 2017, aproximou-se “malta de Darque sem clube”, mas quanto aos motivos que os levaram a deixar a margem esquerda, Araújo é perentório: “essas confusões não me interessam. O meu grande objetivo é ver miúdos no rio. É isso que me satisfaz”.

Um novo clube

Entre apaixonados pela canoagem, numa conversa de amigos, decidiu-se criar um clube de Viana com o intuito de “trazer a canoagem para a zona da cidade”. Para o professor, “a canoagem é versátil e em qualquer espaço que tenha água pode fazer-se canoagem”. O Santa Marta fez então uma parceria com o novo clube e os jovens praticantes vão passar a ser federados no Garças.

O Viana Garças Clube nasceu assim “sem dar conhecimento a ninguém” porque acreditam que iriam “ser barrados”, afirma Carlos Maciel, tesoureiro do recém-criado clube, que saiu da DKC em rota de colisão com a direção.

“Não nos identificávamos com a direção, que também não estava a apoiar a 100 por cento o Sérgio Maciel. Decidimos saltar fora e criar um clube democrático”. A dar as primeiras pagaiadas, o clube encontra-se a “captar atletas, a procurar local para guardar o material e recolher apoios”. Carlos Maciel acredita que em breve vão “surgir soluções”.

Nesta fase inicial o Viana Garças estabeleceu protocolos de cooperação com o Santa Marta Remo Clube e com a Associação de Reformados de Darque, tendo em vista a promoção da modalidade e a captação de atletas, estando em aberta a possibilidade de criar outras filiais ou delegações no concelho. Na presidência do clube está Rodolfo Coelho, que já foi selecionador nacional de canoagem. Acompanham-no Carlos Maciel, Nuno Monteiro, José Alberto Araújo e Sérgio Maciel na direção.

O apoio a Sérgio Maciel

Carlos Maciel é pai de Sérgio e classifica-o como o “principal atleta de canoagem do município, que só em 2017 arrecadou 13 medalhas, duas delas internacionais”. Um “acumular de situações” levou à saída dos Maciel da DKC e a serem dos principais impulsionadores do Garças.

Carlos Maciel era também atleta da DKC, tendo sido expulso, e revela algumas dessas situações. Até regressar do Campeonato do Mundo de Maratona, que se disputou na África do Sul de 7 a 10 de setembro do ano passado, o filho foi “ameaçado e impedido de treinar com atletas de Ponte de Lima”. “Por o Sérgio ter feito “gosto” na página de facebook do Clube Náutico de Ponte de Lima foi promovida uma reunião com todos os atletas da DKC para serem informados que se alguém fizesse gesto semelhante teria um processo disciplinar ou era expulso”, conta Carlos Maciel.

Entretanto, o vice-campeão mundial de Maratona C1 sub 23 entra nas competições em nome individual, pois a DKC “acionou a clausula de formação, que obriga ao pagamento de cinco ordenados mínimos” ao clube que quiser inscrever Sérgio Maciel antes de 31 de dezembro de 2018.

“Em onze anos de canoagem o Sérgio nunca recebeu um cêntimo. Foi tudo para o clube que usou e abusou do nome dele. Teve os benefícios que quis e lhes apeteceu. Em junho, o Sérgio terminou o curso de formação em eletricidade, mas não há patrão que lhe dê trabalho com as exigências dos treinos e o calendário das provas”. Por isso, Carlos Maciel conta que foram até à autarquia pedir apoio. “Estava tudo bem encaminhado, mas como a câmara não podia financiar diretamente o Sérgio, era necessário um protocolo com o clube direcionado para ele, mas a DKC, na pessoa do presidente, não aceitou. Cortaram as pernas”, lamenta.

Zangado com a direção do DKC, Carlos Maciel garante que em 11 anos a frequentar as instalações da DKC “nunca” viu um “edital a convocar uma assembleia-geral, pelo menos publicamente”. “O Sérgio foi atleta do clube 11 anos sem ele ou eu termos sido sócios”.

Américo Castro é presidente da DKC desde a sua fundação, em 1994, e na página de facebook do clube foi publicado que foi reeleito para o cargo no início do ano. Contactado pelo Desporto em Viana não quis comentar o surgimento do novo clube.

O Desporto em Viana questionou o vereador com o pelouro do Desporto, Vítor Lemos, que não quis comentar, indicando que primeiro quer reunir com o Viana Garças Clube.

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