Hóquei

EDV aspira a voo mais alto e sai de zona de conforto

José Domingos Ribeiro

A Escola Desportiva de Viana anunciou a criação da primeira equipa sénior na história do clube, na modalidade de hóquei em patins, esta quarta-feira dia 28, no pavilhão municipal de Monserrate, saindo da “zona de conforto”.

Para este novo projeto foi essencial a “consolidação” do processo formativo em hóquei em patins que a Escola Desportiva de Viana (EDV) levou a cabo. Com equipas dos sub9 até aos sub20, a equipa sénior surge como uma necessidade de “afirmar o atleta vianense” e dar o espaço que não existe para que “prossigam a prática na modalidade”, em vez de a deixar após “um ano ou até seis meses, como se tem vindo a verificar nos últimos anos”, entende o presidente da direção, Rui Silva.

A equipa sénior será um projeto “sustentável e que nunca poderá pôr em causa a principal caraterística da escola, a formação”, reforçou o dirigente. Para isso, a nova equipa terá gestão, administrativa e financeira, própria. Pretende-se que seja o “reflexo da qualidade da formação” do clube. “São cada vez mais os clubes que vêm buscar atletas a Viana e isso não pode acontecer”. “Qualquer atleta que saia de Viana para nós é uma machadada. A Escola tem o dever de dar oportunidade de jogar”, garante Rui Silva.

Rui Neto é o atual coordenador técnico de hóquei em patins da EDV e considera que a equipa sénior tem de ser “sólida e com estrutura rigorosa, dotada com todas as competências, para dar respostas sérias aos atletas”. Para o antigo selecionador nacional, os objetivos da equipa passam por “dotar a equipa sénior de atletas que já estiveram na EDV e que por um ou outro motivo saíram. Adotar atletas que possam vir a ser treinadores. Dar continuidade aos atletas, tendo na formação referências na equipa sénior”, assente em duas premissas: “exigência e rigor”, para que “os miúdos que estão na formação saberem que para chegarem à equipa sénior será com exigência e rigor”.

Esta equipa não pretende ter “aspeto competitivo”, mas sim ser um “espaço após o processo formativo para dar continuidade à pratica”, pois segundo Rui Silva, “não interessa o alto rendimento, mas sim haver espaço que honre o compromisso com a cidade e associados”. “Quanto mais atletas conseguirmos produzir e pôr dentro do ringue, melhor. Afirmamos mais a cidade como cidade do hóquei”.

A criação desta equipa é “concertada com a autarquia”. Com o novo pavilhão da Meadela ficaram “criadas as condições físicas para aumentar o número de atletas na formação de patinagem. Existe um grande investimento no ensino da patinagem, fruto até da patinagem nas escolas no pré-escolar e no ensino básico. Não podemos investir tanto para depois assistir a desistências precoces”.

Na conferência de imprensa de apresentação do projeto, o presidente da direção começou por recordar a génese do clube. “A EDV tem a sua origem num ringue e um passado muito ligado aos patins e ao ensino da patinagem”. Ainda num enquadramento histórico, o dirigente recordou que “durante muitos anos havia um protocolo na cidade” pois a existência de apenas uma instalação condicionava muito a formação. “A EDV ficou com a formação até ao escalão sub17. Começou a haver dificuldade na colocação dos atletas no escalão sénior, fruto, felizmente, do êxito alcançado pelo outro clube na I divisão, lutando pelos 4/5 primeiros lugares. “Se olharmos para os planteis dos últimos anos da Juventude, vemos que não há continuidade no projeto de formação”, notou.

Com a rescisão do protocolo existente, de “forma unilateral” por parte da Juventude, a EDV deixou de “estar condicionada”. “Pensou nela própria e em criar condições” para prosseguir o processo formativo. Na época passada a EDV criou a equipa de sub20, comprometendo-se com os atletas e associados em, posteriormente, criar equipa sénior.

E o basquetebol?

O basquetebol é a outra modalidade coletiva da EDV e a criação de uma equipa sénior, no futuro, é uma possibilidade “a partir do momento em que haja condições e que a secção consiga estabilidade”, indicou Rui Silva.

“Há seis anos houve uma separação do género masculino e a EDV teve de se reorganizar e encontra-se num processo de consolidação”. Rui Silva recorda o que já foi feito. “Há três iniciamos com o escalão sub12 masculino. No ano passado criou-se os sub14 e este ano os sub16. Assim que estiverem estabilizados os escalões, porque não?”, questiona o presidente.

Para que tal suceda, a secção, “dentro do principio autonomia terá que provar ter condições para aspirar a um projeto que não ponha em causa a sua origem”. “O hóquei provou isso. Conseguiu criar e cimentar bases para isso. Temos os escalões de formação de sub9 a sub20, perfeitamente consolidados”, argumentou.

O presidente da direção “honra-se da gestão” do clube. A EDV “produz mais atividade, atletas e melhora a qualidade da prática sem pôr em causa a sustentabilidade. É um clube com boa saúde financeira, fruto dessa gestão de cada uma das secções. O conjunto de estabilidade pode proporcionar a Escola a aspirar a um voo mais alto, nomeadamente sair da zona de conforto e criar escalões seniores”, rematou.

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